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sábado, 28 de dezembro de 2013

À procura da Receita Perfeita


            No post de hoje me permeti parafrasear uma conhecida música para chamar atenção a um tema bastante recorrente dentro e fora das academias de ginástica, que é a busca por receitas ideais de treinos e dietas.

 

            Inicialmente vou me ater ao tema o qual tenho conhecimento, que é atividade física. No meu dia-dia, convivo e encontro muitas pessoas, e, grande parte dessas pessoas em algum momento já me fez uma das seguintes perguntas: Qual melhor exercício para emagrecer? Qual melhor série para hipertrofia? Qual melhor exercício para dor lombar? Devo fazer aeróbio antes ou depois do treino com pesos? Qual melhor horário para malhar? Enfim, teria muitos outros exemplos, porém, não quero me estender muito. Minha resposta a todas estas perguntas inicia-se sempre com a mesma palavra “depende”, pelo simples fato de que realmente depende. Podemos fazer uma simples comparação com outros profissionais, um médico não receita medicamento sem fazer uma anamnese e/ou exames clínicos para ter certeza na hora de prescrever; um engenheiro civil não constrói um prédio sem conhecer as condições do terreno e outras variáreis que podem interferir na obra; um agrônomo não prescreve um agrotóxico sem conhecer uma determinada plantação, eu poderia ficar aqui dando vários exemplos, mas creio que estes já sejam suficientes para entenderem onde quero chegar.


            Quero dizer que não podemos prescrever nada sem uma prévia avaliação, e é justamente ai que se encontra a diferença entre o profissional com formação nesta área de intervenção e o profissional de bancada ou curioso, que vive no youtube pesquisando exercícios para impressionar seus alunos.

 Nos dias de hoje ter acesso à informação é muito fácil, e, quanto ao treinamento funcional não é diferente, basta digitar estas palavras no google ou no you tube que aparecerão milhares de referências ao tema, inclusive com séries de exercícios. Assim se for treinar apenas por modismo, não há necessidade de contratar um profissional para tal é muito mais simples e barato acessar a Internet. Porém, se você procura obter resultados satisfatórios e com segurança eu recomendo que procure um profissional qualificado, que irá realizar uma avaliação funcional e anamnese, a fim de prescrever com segurança e eficiência dentro dos objetivos buscados pelo cliente/aluno.  

 Me desculpem as muitas pessoas que ainda acreditam em uma receita para tudo, mas ela não existe. Portanto, não vá na onda de profissionais que “dizem” ter respostas para tudo sem que ao menos conheça o indivíduo que o questionou.

Abraços,

Leonardo Kirchof
           Educador Físico
           Especialista em Saúde Coletiva
           CREF 010048-G/RS  

Do Corpo à Corporeidade


Quando ouvimos a palavra corpo qual a primeira idéia que nos vem à cabeça? Normalmente a de algo físico, palpável e visível. Ao longo da história, o corpo humano sempre foi alvo de estudo, sobretudo na área da saúde, no entanto, a maneira como o mesmo é percebido muda em alguns momentos da história. Durante muito tempo, nosso corpo foi estudado sob uma ótica mecanicista-reducionista, iniciando por Aristóteles, desenvolvido por Newton e aprofundado por Descartes. Segundo esta visão, só acreditamos naquilo que “vemos, revemos e comprovamos” e quanto mais reduzido o todo, melhor para se estudar. 


O pensamento racional, resumido no famoso enunciado de Descartes, “cogito, ergo sum” – “Penso, logo existo” - influenciou, segundo Capra (1982), de forma significativa a cultura ocidental, deixando de lado a visão do organismo como um todo. Este raciocínio levou a cultura ocidental a pensar o corpo como algo manipulável, uma matéria imperfeita e, portanto, corrigível.  Neste período dualista cartesiano o corpo ficou em segundo plano, pois, o dominio da mente seria mais importante, sem a necessidade de preocupação com o corpo. No atual cenário supervaloriza-se as faculdades mentais de um indivíduo, negligenciando as físicas.

Porém, esquecem que o corpo é nosso referencial sobre o mundo, o corpo sujeito tem a capacidade de modificar o contexto em que se vive, bem como modificar-se em conseqüência ao mesmo contexto. Nesta perspectiva, nós não temos um corpo e sim nós somos um corpo.

Portanto, o conceito de corpo sujeito surge como uma maneira de transcender o de corpo objeto, impregnado pelo paradigma cartesiano de Descartes. Apartir disso, os profissionais da saúde, poderão perceber o seu cliente/paciente como um todo na hora de prescrever o método mais adequado de tratamento para cada indivíduo, deixando de vê-los como um amontoado de partes.

Grande Abraço,

Leonardo Kirchof
            Educador Físico
            Especialista em Saúde Coletiva
            CREF 010048-G/RS