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sábado, 20 de julho de 2013

Retorno ao PeríodoPaleolítico – Parte 2: Atividade Física



            No texto anterior falei a respeito da dieta paleolítica, dando seqüência à análise deste período, hoje  falarei um pouco de como era a atividade física de nossos ancestrais.

            O homem deste período caracterizava-se por ser alto e magro, porém, de onde vem o biotipo característico desta fase? Bom, como já vimos no post anterior, a alimentação da época era rica em proteínas, cálcio, potássio e ácido ascórbico, e de baixa ingestão de sódio, corroborando a isso possuíam um gasto calórico bem elevado, proveniente do nomadismo, caça, procura e preparação de alimentos, fuga das intempéries climáticas e cuidados com a prole. Estes fatores fizeram-se necessário para a sobrevivência da espécie, e, consequentemente para estarmos aqui como homo sapiens.


Assim, a alimentação da época, aliada a um intenso gasto energético, desenvolveu um homem esbelto, magro e resistente a doenças e as mudanças climáticas. Por tudo isso, era pouco provável a presença de obesidade andróide, diabetes e dislipidemia. No que diz respeito ao aspecto genético-evolutivo pouco mudou do homem paleolítico para o homem contemporâneo, porém, os hábitos de vida mudaram muito, a alimentação piorou e o nível de atividade física decresceu acentuadamente, o homem contemporâneo passa a maior parte do tempo sentado, alimentando-se de fast food e alimentos industrializados.

Portanto, partindo-se destas constatações podemos pensar alternativas para o futuro da humanidade, ou seja, voltarmos aos hábitos de vida semelhantes aos do período paleolítico, ou, teremos paradoxalmente a evolução da medicina a nossa qualidade de vida diminuída.

 Até breve,

Leonardo Kirchof

CREF 010048-G/RS

Retorno ao período Paleolítico - Parte 1: Alimentação


Muito tem se falado dos índices crescentes de obesidade e de doenças crônicas não transmissíveis relacionados ao sedentarismo e má alimentação, tudo isso é um fato que não necessita de pesquisas para constatarmos, basta andarmos pelas ruas para ver o maior números de obesos, e, percebermos quantas pessoas próximas a nós são hipertensas, diabéticas ou possuem dislipdemia.
            Acontece que nos encontramos num período de mudança de hábitos e estilo de vida, que se desenrola há milhares de anos, e, que se acentuou após a revolução industrial. Se nos voltarmos à visão antropológica da questão veremos que desde o Período Paleolítico (500.000 a.C. a 1.000 a.C.) o genoma humano continua basicamente o mesmo; o que significa dizer que, nossa taxa de mutação natural é baixa. Nosso ancestral, do Período Paleolítico, era essencialmente caçador, coletor (frutos, raízes) e nômade (andava de um lugar a outro em busca de alimentos).

            Com isso sua dieta era rica em proteínas, cálcio, potássio e ácido ascórbico, e de baixa ingestão de sódio. Segundo Giorgi et al (2005), a anatomia do tubo digestivo humano, inclusive o formato e o tipo de dentes, o tipo de estômago, o comprimento do intestino e o apêndice levam a crer que a dieta ideal para a nossa saúde e bem-estar, nos dias de hoje, deve ser semelhante à dos nossos antepassados paleolíticos.

Algumas regiões nesta época obtinham cerca de 45 a 60% de suas calorias diárias com alimentos de origem animal (basicamente carne), consumiam em média 745g de carne por dia, o restante das calorias era oriundo das frutas, hortaliças folhosas, tubérculos, raízes, sementes e nozes.  Embora o alto consumo de carne na atualidade esteja relacionado ao aumento do risco cardiovascular, a carne selvagem possui baixo teor de gordura, entre 2 e 4%, enquanto o da a carne doméstica esta na faixa de 20 a 25%.
Em seu estudo Doval (2005), sugere que os nossos ancestrais ingeriam entre 21 e 35% das calorias totais da dieta como gordura, entre 35 e 45% como carboidrato e cerca de 30 a 34% como proteína. Esta quantia de carboidratos era oriunda de frutas e hortaliças, enquanto hoje a nossa taxa de carboidratos desta mesma categoria é de 16%.

            Através destes dados, podemos observar o quanto seria interessante seguirmos algumas destas dicas, a fim de melhorarmos nossa saúde e qualidade de vida. No entanto, para isso devemos procurar um nutricionista qualificado para tal, a fim de minimizar riscos à saúde, através da banalização de dietas da moda. No próximo texto irei abordar a atividade física no período paleolítico, até lá.

 Obras consultadas
 
DOVAL, H. C. La selección genética programo nuestra alimentación ¿Deberíamos volver a la comida del hombre del Paleolítico? Rev. Argentina Cardiol., v. 73, n. 3, p. 244-248, 2005;

GIORGI, F.; BARTOLI, E.; IACUMIN, R.; MALLEGNI, E. Oligoelements and isotopic geochemistry: a multidisciplinary approach to the reconstruction of the diet. Hum. Evol., v. 20, n. 1 , p. 55-82, 2005.

Até breve,

Leonardo Kirchhof

CREF 010048-G/RS

Origem das lesões articulares


 
            Na atualidade estamos atravessando um processo de mudança de paradigma no que se refere a treinamento físico, hoje o treinamento funcional esta em alta, entre os profissionais e também na mídia, o que com todo respeito aos fisiculturistas foi o maior avanço em relação ao treinamento. Com esta mudança na metodologia, o treinamento com base em partes do corpo sede espaço para um método de treinamento baseado em padrões de movimento.


            Particularmente considero esta mudança muito inteligente e de muita valia nos processos de prevenção e reabilitação de lesões, porém, desde que sejam aplicados por profissionais com conhecimento especifico para tal. Com este método deixamos de prescrever com base na divisão peito-ombro-tríceps, e, passamos a utilizar o puxar-empurrar-dominante de quadril-dominante de joelho.

            Assim, Gray Cook, criador do método FMS, nos diz que os problemas em uma articulação geralmente surgem como dor na articulação logo acima ou logo abaixo. Nesta teoria, toda vez que uma articulação não puder mover-se adequadamente outra articulação o fará. Por exemplo, a falta de mobilidade do tornozelo irá gerar dor no joelho, por ser esta uma articulação originalmente estabilizadora. Em outra análise, temos que a perda de mobilidade do quadril poderá gerar dor na lombar, por ser esta uma articulação onde a estabilidade é o mais importante. Neste processo, uma articulação passa a suprir a falta de mobilidade ou estabilidade de outra articulação, como no exemplo anterior, a lombar passa a gerar mobilidade que deveria ser gerada pelo quadril, ou seja, de uma maneira simplória se o quadril não pode se mover, a lombar fará o serviço. Se uma articulação perde a sua característica primária, para gerar uma característica secundária irá tornar-se menos instável e conseqüentemente desconfortável e dolorida.

            Portanto, devemos ficar atentos à dor articular, e, ter em mente que essa dor pode ser resultante de problema em outra articulação, logo abaixo ou acima da articulação dolorida. Para isso, devemos procurar profissionais devidamente capacitados para avaliar o indivíduo e então prescrever o treino ideal para sanar o problema.

Até o próximo,

Leonardo Kirchof

CREF 010048-G/ RS