Muito tem se
falado dos índices crescentes de obesidade e de doenças crônicas não
transmissíveis relacionados ao sedentarismo e má alimentação, tudo isso é um
fato que não necessita de pesquisas para constatarmos, basta andarmos pelas
ruas para ver o maior números de obesos, e, percebermos quantas pessoas
próximas a nós são hipertensas, diabéticas ou possuem dislipdemia.
Acontece
que nos encontramos num período de mudança de hábitos e estilo de vida, que se
desenrola há milhares de anos, e, que se acentuou após a revolução industrial.
Se nos voltarmos à visão antropológica da questão veremos que desde o Período
Paleolítico (500.000 a.C. a 1.000 a.C.) o genoma humano continua basicamente o
mesmo; o que significa dizer que, nossa taxa de mutação natural é baixa. Nosso
ancestral, do Período Paleolítico, era essencialmente caçador, coletor (frutos,
raízes) e nômade (andava de um lugar a outro em busca de alimentos).
Com isso
sua dieta era rica em proteínas,
cálcio, potássio e ácido ascórbico, e de baixa ingestão de sódio. Segundo
Giorgi et al (2005), a anatomia do tubo digestivo humano, inclusive o formato e
o tipo de dentes, o tipo de estômago, o comprimento do intestino e o apêndice
levam a crer que a dieta ideal para a nossa saúde e bem-estar, nos dias de
hoje, deve ser semelhante à dos nossos antepassados paleolíticos.
Algumas
regiões nesta época obtinham cerca de 45 a 60% de suas calorias diárias com
alimentos de origem animal (basicamente carne), consumiam em média 745g de
carne por dia, o restante das calorias era oriundo das frutas, hortaliças
folhosas, tubérculos, raízes, sementes e nozes.
Embora o alto consumo de carne na atualidade esteja relacionado ao
aumento do risco cardiovascular, a carne selvagem possui baixo teor de gordura,
entre 2 e 4%, enquanto o da a carne doméstica esta na faixa de 20 a 25%.
Em seu
estudo Doval (2005), sugere que os nossos ancestrais ingeriam entre 21 e 35%
das calorias totais da dieta como gordura, entre 35 e 45% como carboidrato e
cerca de 30 a 34% como proteína. Esta quantia de carboidratos era oriunda de
frutas e hortaliças, enquanto hoje a nossa taxa de carboidratos desta mesma
categoria é de 16%.
Através destes dados,
podemos observar o quanto seria interessante seguirmos algumas destas dicas, a
fim de melhorarmos nossa saúde e qualidade de vida. No entanto, para isso
devemos procurar um nutricionista qualificado para tal, a fim de minimizar
riscos à saúde, através da banalização de dietas da moda. No próximo texto irei
abordar a atividade física no período paleolítico, até lá.
DOVAL, H. C. La selección
genética programo nuestra alimentación ¿Deberíamos volver a la comida del
hombre del Paleolítico? Rev. Argentina Cardiol., v. 73, n. 3, p.
244-248, 2005;
GIORGI, F.; BARTOLI,
E.; IACUMIN, R.; MALLEGNI, E. Oligoelements
and isotopic geochemistry: a multidisciplinary approach to the reconstruction
of the diet. Hum. Evol., v. 20, n. 1 , p. 55-82, 2005.
Até breve,
Leonardo Kirchhof
CREF 010048-G/RS

Nenhum comentário:
Postar um comentário