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sábado, 20 de julho de 2013

Retorno ao período Paleolítico - Parte 1: Alimentação


Muito tem se falado dos índices crescentes de obesidade e de doenças crônicas não transmissíveis relacionados ao sedentarismo e má alimentação, tudo isso é um fato que não necessita de pesquisas para constatarmos, basta andarmos pelas ruas para ver o maior números de obesos, e, percebermos quantas pessoas próximas a nós são hipertensas, diabéticas ou possuem dislipdemia.
            Acontece que nos encontramos num período de mudança de hábitos e estilo de vida, que se desenrola há milhares de anos, e, que se acentuou após a revolução industrial. Se nos voltarmos à visão antropológica da questão veremos que desde o Período Paleolítico (500.000 a.C. a 1.000 a.C.) o genoma humano continua basicamente o mesmo; o que significa dizer que, nossa taxa de mutação natural é baixa. Nosso ancestral, do Período Paleolítico, era essencialmente caçador, coletor (frutos, raízes) e nômade (andava de um lugar a outro em busca de alimentos).

            Com isso sua dieta era rica em proteínas, cálcio, potássio e ácido ascórbico, e de baixa ingestão de sódio. Segundo Giorgi et al (2005), a anatomia do tubo digestivo humano, inclusive o formato e o tipo de dentes, o tipo de estômago, o comprimento do intestino e o apêndice levam a crer que a dieta ideal para a nossa saúde e bem-estar, nos dias de hoje, deve ser semelhante à dos nossos antepassados paleolíticos.

Algumas regiões nesta época obtinham cerca de 45 a 60% de suas calorias diárias com alimentos de origem animal (basicamente carne), consumiam em média 745g de carne por dia, o restante das calorias era oriundo das frutas, hortaliças folhosas, tubérculos, raízes, sementes e nozes.  Embora o alto consumo de carne na atualidade esteja relacionado ao aumento do risco cardiovascular, a carne selvagem possui baixo teor de gordura, entre 2 e 4%, enquanto o da a carne doméstica esta na faixa de 20 a 25%.
Em seu estudo Doval (2005), sugere que os nossos ancestrais ingeriam entre 21 e 35% das calorias totais da dieta como gordura, entre 35 e 45% como carboidrato e cerca de 30 a 34% como proteína. Esta quantia de carboidratos era oriunda de frutas e hortaliças, enquanto hoje a nossa taxa de carboidratos desta mesma categoria é de 16%.

            Através destes dados, podemos observar o quanto seria interessante seguirmos algumas destas dicas, a fim de melhorarmos nossa saúde e qualidade de vida. No entanto, para isso devemos procurar um nutricionista qualificado para tal, a fim de minimizar riscos à saúde, através da banalização de dietas da moda. No próximo texto irei abordar a atividade física no período paleolítico, até lá.

 Obras consultadas
 
DOVAL, H. C. La selección genética programo nuestra alimentación ¿Deberíamos volver a la comida del hombre del Paleolítico? Rev. Argentina Cardiol., v. 73, n. 3, p. 244-248, 2005;

GIORGI, F.; BARTOLI, E.; IACUMIN, R.; MALLEGNI, E. Oligoelements and isotopic geochemistry: a multidisciplinary approach to the reconstruction of the diet. Hum. Evol., v. 20, n. 1 , p. 55-82, 2005.

Até breve,

Leonardo Kirchhof

CREF 010048-G/RS

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