Há várias
décadas viemos atravessando um período de prevalência da especialização em
praticamente todas as ciências, principalmente na área da saúde. Um período
baseado no modelo cartesiano de Descartes, onde o corpo é visto como um
amontoado de partes, as quais podem ser substituídas a qualquer momento sem
prejudicar as demais, exemplo disso, são as especializações médicas e de outras
profissões também, que cada vez mais
dividem e subdividem nosso corpo.
No que tange a prática de exercícios
físicos não é diferente, vemos muitos profissionais que vêem o corpo de seus
clientes / alunos, como um monte de músculos que devem ser trabalhados de forma
isolada, com as famosas divisões de treino, nas quais se trabalha os músculos a
e b na segunda e os músculos c e d na terça, após repete a série e então
encerra a semana.
Ao meu ver isso é um grande erro,
porque em primeiro lugar, nós não temos um corpo, nós somos um corpo, aliás, um
corpo que é físico, mental, espiritual inseridos em uma determinada cultura.
Portanto, não se pode prescrever treinos a nossos clientes considerando apenas
o corpo físico, temos que levar em conta seu corpo como um todo.
Em segundo lugar, outro erro enorme
é utilizar a clássica divisão de músculos na prescrição de exercícios, devemos
sim pensar em movimentos, pois, nosso cérebro não reconhece músculos e sim
movimentos, desta forma é um equivoco pensarmos em uma divisão corporal baseada
em músculos.
Portanto, cabe a alguns
profissionais da área da saúde e aqui me refiro mais especificamente aos
profissionais de educação física rever seus paradigmas, deixando a já
desgastada teoria de Descartes de lado, e, ver seus alunos / clientes como um
todo indivisível, um ser cheio de significações que merecem ser consideradas na
hora de prescrever exercícios físicos.
Abraços e até o
próximo,
Leonardo Kirchof
CREF 010048-G/RS

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